sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A Triste Condição da Identidade

Não há nada mais perturbador do que pensar na existência de uma parte de nossa personalidade sobre a qual não exercemos nenhum domínio, nenhum controle, onde estão guardados nossos desejos mais verdadeiros. Durante a vida, aprendemos a abandonar nossas vontades originais para nos integramos a um grupo social, mas isso não significa que elas tenham desaparecido.


Não é fácil admitir que não somos inteiros, completos, autônomos. Desde a infância, nos tornamos seres partidos, divididos entre o que pode ou não pode, entre o real e o imaginado, entre o reconhecimento e a punição, subordinando nossas vontades a essas condições. Como seria o mundo se elas pudessem ser satisfeitas livremente? Bom, seria no mínimo perigoso, mas não menos interessante por causa disso!

Suas frustrações geradas no conflito interno entre seus desejos e a realidade geram a ansiedade, pressionam o coitado do ego, te incomodando, mesmo que você não conheça o real motivo de estar ansioso. O que será que você estava querendo, de verdade, quando suas mãos começaram a suar, quando sentiu aquele friozinho na barriga?

Ainda nos resta a possibilidade de visitar nossos desejos em sonho, mas isso não significa que eles sejam satisfeitos. A maior sacanagem do sonho é você quase nunca ter a consciência de que está sonhando. Logo, sua única oportunidade de se sentir verdadeiramente realizado é frustrada por sua noção de realidade.

Tudo isso nos leva à triste conclusão de que estaremos eternamente longe de sermos nós mesmos.

Um comentário:

  1. "O homem não é senhor de sua morada" assim disse Freud. Por esse e tantos outros motivos é tão frustrante e trágico ser um ser-humano, pertencer a esta espécie tão obtusa e amorfa que vaga pela superficie terrestre. Enfim, é bom desejar coisas simples e faceis de conseguir, está ai a TV para facilitar nossa vida. Quando um belo dia paramos num divã psicanilitico e somos jogados contra aqueles desejos infantis reprimidos...hummm, é melhor se sentir um idiota por desejar uma TV de plasma, do que um tarado que desejou o seio materno no 1° ano de vida. Eu acho que a grande sacanagem é que não tem sacanagem nenhuma, e é sacanagem descobrir que a sacanagem não está encobrindo nenhuma outra sacanagem.
    Enquanto vivermos, de uma coisa eu sei, mais e mais desejos deixarão de ser realizados.

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