terça-feira, 6 de novembro de 2012

Respeite a faixa!

Eu acho que as pessoas têm uma relação estranha com a faixa de pedestres, elas realmente se esforçam para ignorá-la. Não sei se é psicológico ou uma ilusão de que você é mais especial ou menos mortal do que o resto da humanidade, mas com certeza o transito acaba transformando as pessoas em bichos.


Parar em cima da faixa já é sacanagem, mas as vezes pode ter sido sem querer. Aquelas coisas, o farol fechou e você tava no meio do caminho. Mas o que passa na cabeça de uma criatura que começa a acelerar o carro quando o bonequinho vermelho começa a piscar? Filho, ainda não abriu o farol, você quer o que, ameaçar as pessoas? Você por acaso vai passar por cima delas se elas não saírem correndo da sua frente?

Mas o que dizer das figuras que não podem dar cinco passos a mais para atravessar na faixa? O mais curioso é que a terceira idade parece muito mais aventureira. Não custa nada ir até a faixa, mesmo que você tenha que voltar alguns passos. É difícil entender isso?

Eu sei que sua necessidade de adrenalina e sua certeza de que o mundo está a sua disposição podem dar um pouquinho de lugar para o mínimo de consciência e consideração pelo resto das pessoas.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Na calçada não, meu amigo!

Eu não tenho nada contra as bicicletas, acho até bonitinho. A possibilidade de chegar aos lugares sem ser prensado pela galera do metro, de se exercitar, de estar tranqüilo com a consciência por ser um poluidor a menos é tentadora. Mas não se iluda, São Paulo não está pronta para as bicicletas e talvez nunca esteja.

O aumento no número de ciclistas nas ruas tem nos proporcionado experiências no mínimo traumáticas. A convivência entre carros, motos, ônibus e caminhões já parecia conturbada o suficiente, mas agora tem também a bicicleta. Caminhão e ônibus pressionam os carros, que pressionam as motos, que pressionam as bicicletas, que vão para as calçadas. Pó, mas na calçada é demais, meu amigo!

As distancias são enormes em são Paulo, as vias muito movimentadas, as pessoas muito apressadas. As bicicletas não mudam em nada esse cenário, por mais bacanas que pareçam. As ciclifaixas não serão construídas em vias principais, nem de grande circulação, o que reduz em muito as possibilidades de se chegar aos lugares mais afastados em um tempo razoável, os motoristas não respeitam as bicicletas, tanto quanto não respeitam motociclistas e pedestres. A única alternativa é usar as bicicletas para pequenas distancias, como de casa para o metro, terminal ou trem.

Da mesma forma, nem os próprios ciclistas estão preparados para circular durante a semana na cidade. Acreditem ou não, tem gente andando de bicicleta na marginal! Não dá. Eles atravessam no farol vermelho, mudam de faixa sem olha (eles não tem espelhos), não usam os equipamentos de segurança e sinalização, mas o pior de tudo é que estão invadindo as calçadas.

Calçada é lugar de pedestre, só de pedestre, exclusivamente para pe des tre. É uma puta sacanagem estar andando e um fulano passar correndo de bicicleta quase em cima de você. O mais engraçado é que ele não desvia de você, você é que tem que desviar dele. E o papo de ciclista coitadinho, cadê?

Mesmo com o caos das bicicletas, não sou contra elas, só acho que, assim como os outros meios de transporte, elas devem ser fiscalizadas, devem ter leis específicas pra elas. Emplaca as bichinhas. Se a bicicleta veio pra ficar, terá que achar um jeito de conviver e sobreviver.



sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A Triste Condição da Identidade

Não há nada mais perturbador do que pensar na existência de uma parte de nossa personalidade sobre a qual não exercemos nenhum domínio, nenhum controle, onde estão guardados nossos desejos mais verdadeiros. Durante a vida, aprendemos a abandonar nossas vontades originais para nos integramos a um grupo social, mas isso não significa que elas tenham desaparecido.


Não é fácil admitir que não somos inteiros, completos, autônomos. Desde a infância, nos tornamos seres partidos, divididos entre o que pode ou não pode, entre o real e o imaginado, entre o reconhecimento e a punição, subordinando nossas vontades a essas condições. Como seria o mundo se elas pudessem ser satisfeitas livremente? Bom, seria no mínimo perigoso, mas não menos interessante por causa disso!

Suas frustrações geradas no conflito interno entre seus desejos e a realidade geram a ansiedade, pressionam o coitado do ego, te incomodando, mesmo que você não conheça o real motivo de estar ansioso. O que será que você estava querendo, de verdade, quando suas mãos começaram a suar, quando sentiu aquele friozinho na barriga?

Ainda nos resta a possibilidade de visitar nossos desejos em sonho, mas isso não significa que eles sejam satisfeitos. A maior sacanagem do sonho é você quase nunca ter a consciência de que está sonhando. Logo, sua única oportunidade de se sentir verdadeiramente realizado é frustrada por sua noção de realidade.

Tudo isso nos leva à triste conclusão de que estaremos eternamente longe de sermos nós mesmos.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Perturbações 2012

A coisa mais contraditória do período de pré-eleição é que as mesmas pessoas que prometem melhorar sua vida a transformam em um inferno. Como alguém que enche seus ouvidos com sons de carros gritando, tocando musiquinhas que te tratam como um idiota, que entope as calçadas com placas e cavaletes, que sujam as ruas pode estar preocupado com você?

Os carros de som podem circular das 8h da manhã às 10h da noite. Da noite! Isso significa que você está sujeito a ouvir esse tormento por 14h do seu dia. Segundo a lei, esses veículos não podem circular perto de escolas e hospitais, mas, considerando o volume das propagandas, é óbvio que, mesmo de longe, eles invadem e atrapalham o funcionamento e o sossego desses lugares.

Acredito que um destaque especial foi dado às placas esse ano. Elas estão em todas as partes da cidade, atrapalhando a passagem, a travessia de pedestre, as mães com carrinhos de bebê, cadeirantes. Elas poluem a paisagem, cansam os olhos. A quantidade de cavaletes é impressionante! O TSE afirma que as propagandas irregulares são multadas, mas pode ter certeza que o valor da multa já está separadinho, garantindo que tudo continue nos atrapalhando livremente.

Outra contradição está no blá blá blá da sustentabilidade que todos eles fazem questão de enfatizar. Que sustentabilidade é essa que desperdiça toneladas de papel, plástico, madeira? Bem sustentável!

E mais uma vez podemos perceber o quanto o processo eleitoral é retrogrado e conservador. Não importam os bairros sem saneamento, as ruas sem iluminação, a falta de segurança, muito menos as filas nos hospitais, se você tem dinheiro pra colocar uma placa bem grande com sua cara de bonzinho na calçada.



quarta-feira, 23 de maio de 2012

UMA REFLEXÃO SOBRE A CIDADE COMO LUGAR DE ESQUECIMENTO.

Ao mesmo tempo em que a cidade é considerada um lugar de memória, também podemos considerá-la um lugar de esquecimento. Muitas vezes sentimos que somos enganados pela memória: quase sempre nos pomos a pensar o que existia em determinado lugar, agora em reforma. Mas esse esquecimento não se limita ao que não existe mais, ele se manifesta em lugares abandonados por toda a cidade. 





Memorizar a cidade tem sido uma tarefa cada vez mais difícil, com as mudanças acontecendo em velocidade cada vez maior, é comum que pontos de referencia simplesmente desapareçam, física e mentalmente. O que dizer então dos lugares que não sejam referenciais tão coletivas? Um edifício no centro da cidade, onde provavelmente funcionara um órgão público ou morara uma figura de maior destaque, certamente recebe mais atenção, especialmente quando valorizada sua beleza e arquitetura. Mas para além deste pequeno núcleo, existem casas, pequenos comércios, galpões e praças que sucumbem à modernização, sem que isso seja sequer notado pela maioria da população.

A grande aliada do esquecimento é a velocidade: o ritmo acelerado da cidade contribui para que as mudanças não sejam percebidas. A velocidade em que circulam os meios de transporte (metrô, carro, ônibus) nem sempre permite uma observação mais aprofundada do caminho percorrido. Somada a isto, está a rotina apertada, regida por horários rigorosos, que faz com que, mesmo caminhando, o indivíduo não repare no ambiente a sua volta.

A velocidade também se faz presente nos canteiros de obra espalhados pela cidade. Os métodos vem se aprimorando a cada dia, garantindo uma conclusão em espaços de tempo cada vez menores, o que provoca mudanças drásticas no senário da cidade

O fato de a memória ser seletiva contribui muito com esse processo de esquecimento: lembramos dos lugares que nos marcaram mais profundamente, dos que mais frequentamos, dos que abrigavam instituições mais representativas. Da mesma forma, esquecemos lugares menos representativos ou que nos remetam a lembranças ruins.

O que escapa da modernização, não escapa, no entanto, do esquecimento. A memória não se limita ao edifício, apreendendo um contexto maior, onde interagem tradições, práticas e datas que dão sentido ao espaço. Muitas vezes a falta desse contexto relega um lugar ao esquecimento. Mesmo que não seja substituído por um novo edifício, o antigo cai em decadência. Por não representar o que antes representava, mas também por não corresponder aos novos parâmetros, ele é abandonado. São muitos os edifícios que encontramos nessa situação.

O sentimento de pertencimento, responsável pela identificação do morador com os espaços da cidade, devido às mudanças, mas talvez também ao grande número de migrantes e imigrantes, é modificado. Em artigo publicado na Arquitetura Revista, os autores Ethel Pinheiro e Cristiane Duarte tratam dessa modificação no modo de sentir a cidade

Mas para o homem contemporâneo, maquinado pelas primeiras descobertas modernistas, por sua gradual mudança na posição dentro do espaço “habitável” e pela impressão da velocidade no cotidiano (aumento da automação, da industrialização, da produção em série e da divulgação em massa de informações instantâneas), a identificação tornou-se um termo indiferente, cercado de diversas outras condicionantes tão ou mais importantes que o próprio sentido de pertencimento. Pertencer já não é mais uma obrigação latente para a absorção dos espaços (PINEIRO; DUARTE, 2008: 4).

Para os autores, a globalização contribui com esse processo na medida em que cria padrões passiveis de aceitação em diversos contextos. Assim, um edifício não é planejado de acordo com características locais, não por se negar a criar lugares que sejam significativos, mas por ignorar o espaço em que ele será inserido.

As formas de representação (música, fotografia, literatura, pintura) funcionam como uma tentativa de manter vivo o que cai no esquecimento. As músicas de Adoniran Barbosa, são exemplos claros dessa tentativa. Quando ele canta uma cidade que está mudando, desaparecendo, percebemos que existe a necessidade de se conservar os lugares de memória, muitas vezes coletivos, que marcaram suas andanças pela cidade.

Podemos concluir que o esquecimento não se limita ao que deixou de existir, ao que foi substituído, mas também ao que deixou de significar e representar algo. A rotina da cidade, suas novas necessidades e parâmetros, provocam não apenas a sobreposição física, mas também a mental.



Referência:

PINHEIRO, E.; DUARTE, C. Esquecimento e reconstrução: memória e experiência na

arquitetura da cidade. In: ArquiteturaRevista, v. 4, n. 1, janeiro-junho. 2008. Disponível em: <http://www.arquiteturarevista.unisinos.br/pdf/44.pdf>. Acesso em: 15 nov. 2011.

MÚSICA OU RUÍDO: a inversão de papéis na sociedade pós-moderna.

 
 
Introdução:

O presente artigo se dispõe a fazer uma breve análise da paisagem sonora da sociedade pós-moderna, relacionando as mudanças nos conceitos de música e ruído e nas posições ocupadas por esses elementos na paisagem sonora ao avanço da tecnologia.
Em um primeiro momento, apresentaremos o conceito de paisagem sonora segundo seu criador, detalhando seus temas principais. Em seguida contextualizaremos historicamente o que identificamos como mudanças, analisando as possibilidades e inversões de papéis criadas a partir do avanço da tecnologia, bem como os reflexos desse processo na paisagem sonora das grandes cidades. Por fim teceremos nossas considerações finais.


Música ou Ruído:

Antes de nos debruçarmos sobre o tema em si,  faz-se  necessária uma definição, mesmo que breve, do conceito de paisagem sonora, cunhado por Schaefer. Segundo ele “A paisagem sonora é qualquer campo de estudo acústico”. Consideremos então que isso corresponda ao som total que chega a nossos ouvidos, seja em uma praça, uma música ou um programa de rádio. Neste caso, trataremos da paisagem de uma cidade pós-moderna.

Temos como temas principais da paisagem sonora os sons fundamentais, os sinais e as marcas sonoras. Tomemos por som fundamental aquele som que, como na música, da base à composição, e mesmo que nem sempre seja ouvido conscientemente, é em torno dele que todo, o mais, ganha significado. Na paisagem sonora, ele funciona como o fundo. Esse som pode nos dizer muito sobre o contexto no qual está inserido, e muitas vezes ele está tão arraigado que sua ausência poderia refletir no comportamento da sociedade.

Na paisagem sonora, os sinais se enquadram mais como figura, que por se destacarem, são ouvidos conscientemente. No contexto de uma sociedade, eles correspondem aos sons que têm função de nos alertar, como uma sirene, ou uma campainha.

Marca sonora corresponde a “um som da comunidade que seja único ou que possua determinadas qualidades que o tornem especialmente significativo ou notado pelo povo daquele lugar”. Sendo assim, ela confere identidade à paisagem sonora.

Em um passado remoto, a audição era fundamental para a sobrevivência do homem. Na natureza, no escuro, ele se utilizava dela para detectar qualquer sinal de alteração no ambiente a sua volta, para identificar qualquer ameaça. No entanto, com o passar dos séculos, a visão passou à posição de sentido privilegiado para a captação de informações. Podemos considerar que essa mudança se deve, de uma parte, ao desenvolvimento da linguagem escrita, e de outra, ao Renascimento, na medida em que se passou a analisar as formas mais adequadas para se adquirir conhecimento.

Em consequência dessa mudança, as pessoas passaram a se preocupar cada vez menos com a audição e, principalmente, com o que se ouve.        

A partir da Revolução Industrial, novos sons passaram a integrar a paisagem sonora das cidades, não apenas através dos sons das máquinas nas fábricas, mas também pelo grande contingente de pessoas que deixaram o campo em busca de trabalho. Com o avanço da tecnologia, a variedade de sons foi se multiplicando e sintetizando, e a paisagem sonora foi definitivamente tomada por essas novas formas.

Ao longo do século XX, os largos espaços de silêncio preenchidos por sons da natureza foram dando espaço aos ruídos da industrialização, alterando de forma dramática o modo como o homem se relacionava com aquela paisagem.

A inversão na relação ruído/fundo ensinou o homem a ignorar os ruídos que lhe incomodavam, mas isso não significa que ele tenha se tornado totalmente imune a eles. Muitos estudos têm relacionado esse processo ao aumento do estresse e ao desgaste físico e emocional dos moradores de grandes cidades, expostos a essa paisagem “hostil”.

Por outro lado, a paisagem sonora pode nos revelar muito sobre essas sociedades, seus rituais, as formas das pessoas se relacionarem, os sons de alerta, e acompanhando as mudanças na paisagem, podemos identificar as permanências e rupturas das práticas que compõem a vida urbana. 

É interessante ver que conforme a paisagem foi se transformando, a forma como o som é interpretado também se modificou. Segundo Rafael Sarpa

“O ponto central no cerne destas transformações sonoras foi a troca de ênfase nos parâmetros possíveis de utilização musical. A conseqüência que melhor sintetiza este acúmulo foi a emergência do par som/silêncio como parâmetro mais geral possível, confundindo e borrando as fronteiras definidas pelo par anterior música/não-música, ou talvez música/ruído.”

A partir dessa mudança, a música, que até o início do século XX, se concentrava nas salas de concerto, ultrapassa a barreira dos instrumentos tradicionais e passa a incorporar elementos diversos. Nesse sentido, o avanço da tecnologia foi determinante para que a música assumisse outras formas. À medida que surgia a possibilidade de capturar, registrara e de reproduzir facilmente esses novos elementos, a música começa a alcançar proporções jamais vistas, no que diz respeito não só  à criação, mas também à circulação..

Ainda segundo Sarpa, em sua pesquisa sobre o noise (gênero musical derivado do movimento industrial),

“Muitas destas práticas representadas pelas vanguardas musicais procuraram andar tangenciando e ultrapassando esses limites, retroalimentando as inovações tecnológicas ao se apropriar delas, fabricando linguagens específicas que explorem e enfatizem características específicas de tais materialidades. Nisto, assistimos nos pré, pós-guerras e além, uma série de ocorrências deste processo, a citar algumas delas: a exacerbação da velocidade e intensidade, e riqueza de ruídos do novo maquinário como na música futurista; os primeiros limites da gravação e manipulação do gravado como na música concreta; a geração eletrônica de som e exclusiva utilização disto como material musical como na música eletrônica(...)”

A presença desses elementos no que passa a ser produzido nos revela o lugar que a tecnologia passa a ocupar na vida das pessoas, os sons do trabalho e do cotidiano passam a representar mais do que o incômodo, ganhando status de arte. Ao mesmo tempo, o ruído de antes passa a fazer parte da paisagem sonora das grandes cidades, de tal forma que, ao contrário de se destacarem, como na música, tornam-se  permanentes, o fundo dessa paisagem pós-moderna.

Da mesma forma, vemos outra inversão de posições, e é a vez da música se tornar ruído. Esse é o caso de algo que se tornou presença obrigatória em nossa sociedade, o celular. A possibilidade de criar e reproduzir sons, através de um aparelho extremamente fácil de ser portado, levou a música a lugares antes inimagináveis, e com ela todos os sons produzidos pelo aparelho. O que temos hoje é um ambiente onde uma variedade de músicas, dentre outros ruídos, são reproduzidos ao mesmo tempo em pequenos espaços, como o vagão de um trem ou um ônibus, criando uma atmosfera de conflito. Assim, a música se tornou um dos sons que tentamos ignorar.

Considerações finais:

Consideramos por fim que um som não pode ser pré-classificado como música ou ruído, e que define a forma como será interpretado dependerá da intenção de quem o produz. Os sons produzidos pelo maquinário da fábrica, pelas pessoas em um mercado e até o som de uma torcida de futebol, com o auxilio da tecnologia, passaram de ruído à música, da mesma forma, também graças à tecnologia, a música  transformou-se em ruído.   

Em uma sociedade com a paisagem sonora dominada por buzinas, rádios, celulares, máquinas, nos vemos sufocados pela tecnologia. Mas qual seria então a saída? Se uma paisagem sonora agradável representa também um bem estar social, e se a partir dela podemos analisar a sociedade, fica claro que o caos que ouvimos corresponde ao caos pelo qual passa nossa sociedade.

Ainda segundo Schaefer, “Em uma sociedade verdadeiramente democrática, a paisagem sonora será planejada por aqueles que nela vivem, e não por forças imperialistas vindas de fora”. E talvez essa seja a resposta mais adequada à nossa pergunta.

A conclusão que chegamos a respeito de nossa paisagem sonora aponta para a necessidade de se pensar mais a fundo em uma organização, um planejamento do que ouvimos. A própria sociedade preocupar-se  e assumir para si o planejamento da paisagem sonora, selecionando o que agrada ou não a seus integrantes, corresponderia à representatividade, autonomia e ao poder que ela terá sobre si mesma.




Bibliografia:

FORTUNA, Carlos. Imagens da cidade: sobre a heurística da paisagem sonora.e os ambientes sociais urbanos. Oficina do CES, Coimbra. 1998.

SARPA, Rafael;Transformações Sonoras Extremas. Contemporânea, edição especial, Rio de Janeiro, vol 6, n. 03, 2008. Disponível em: www.contemporanea.uerj.br/.../08_RafaelSARPA_IISeminarioPPGCOM Acesso em: 01 mai. 2012.

SCHAEFER, R. Murray. A Afinação do Mundo. São Paulo: UNESP, 2001.

O BLOCO DA LAMA: uma proposta de inscrição

RESUMO:

O presente artigo se dispõe a apresentar o Bloco da Lama da cidade de Paraty como uma manifestação que possui características que possibilitam sua inserção no Livro de Registro das Celebrações. Ele traz um brave histórico do patrimônio cultural imaterial no Brasil e da manifestação em questão, bem como a discussão entorno da inscrição do bloco como Bem Cultural Imaterial.

É importante considerar que a proposta do artigo não abrange todas as determinações do IPHAN para o registro de um patrimônio imaterial.

Introdução:

Não é de se esperar que em um lugar de tradições seculares, onde a história se faz quase que absoluta, uma celebração tão recente tenha se tornado tradicional. Esse é o caso do Bloco da Lama da cidade de Paraty.

Com apenas dezesseis anos de existência, o bloco leva moradores e turistas a se lançarem em um verdadeiro mar de lama da Praia do Jabaquara, na tarde do sábado de carnaval.

Na busca por caranguejos, no mangue ao final da praia, dois amigos se deram conta do efeito causado pela lama em seus corpos, um aspecto rustico e monstruoso. Foi então que nasceu a ideia de reunir alguns amigos para brincar o carnaval. No ano seguinte, o bloco já atraía muitos novos adeptos. Hoje ele é um dos maiores atrativos da cidade, sendo responsável por reunir centenas de visitantes e moradores enlameados, todos os anos.

O presente artigo tem por objetivo apresentar o Bloco da Lama como um possível patrimônio cultural imaterial, trazendo as características que o faz referencial da identidade do grupo em que se desenvolve.

A discussão que está intrinsecamente colocada à proposta diz respeito ao que define uma prática, ritual ou expressão como integrante da identidade de um grupo. Será o ato de literalmente transmitir algo, de ser praticado espontaneamente, de despertar um sentimento de pertencimento, ou seria o tempo durante o qual foi realizado?

Buscamos demonstrar que o patrimônio cultural imaterial não depende exclusivamente do conceito amplamente aceito de tradição, para tanto, identificamos as características que fazem do Bloco da Lama um representante da cultura caiçara de Paraty.

Em um primeiro momento será feita uma apresentação da cidade onde se desenvolveu o bloco, depois passamos a um breve histórico do bloco, onde também serão colocadas as características que o diferencia de qualquer outro bloco carnavalesco conhecido no Brasil. Passamos então a uma breve história do patrimônio cultural imaterial na país, momento em que será estabelecida e discussão acerca da inscrição do Bloco da Lama como um Bem Cultural Imaterial. Para concluir, teceremos nossas considerações finais.

 
 


A cidade:

Localizada no litoral fluminense, extremo sul do Estado do Rio de Janeiro, a cidade de Paraty é tombada como Patrimônio Estadual (1945), Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (1958) e Monumento Nacional (1966). Fundada oficialmente em 1667, ela conserva o calçamento, as igrejas e casarões do período colonial. Além dos edifícios históricos, Paraty também possui grande beleza natural, como praias, cachoeiras, ilhas e boa parte da Mata Atlântica preservada. Essas características fizeram do turismo uma das principais atividades econômicas da cidade.

A vila que viveu o auge do ouro e do café, passou por um longo período de isolamento em relação ao resto do país, após a queda da produção deste último. No entanto, com a abertura da BR 101 (Rodovia Rio-Santos), a cidade voltou definitivamente ao contexto nacional.

As perspectivas do turismo provocaram mudanças na cidade, que havia se concentrado, por décadas, na agricultura, em suas antigas tradições e na cultura caiçara. A construção civil foi impulsionada, o comércio ampliado, o centro histórico cercado, proibindo assim a entrada de automóveis em suas ruas de “Pé de Moleque”. Por outro lado, esse crescimento trouxe problemas para o meio ambiente e para a população, graças ao conflito entre a exploração da região e a cultura local.

Com a chegada de novos investimentos, a população local se viu relegada às regiões mais afastadas do centro, tendo inclusive que mudar o ramo de suas atividades econômicas, passando a se dedicar, em sua grande maioria, à produção de artesanatos. Esse processo de reaproximação trouxe para a cidade os conceitos de modernização difundidos no restante do país, terminando por sufocar a cultura caiçara.

Segundo Priscyla Torrentes (2007, p: 95), “O fato de Paraty ter ficado isolado geográfica e economicamente do resto do país no período de 1870 a 1950 fez com que se preservassem alguns antigos costumes, em especial as comemorações das grandes datas do catolicismo”.

Hoje, a cidade é conhecida, além de seus atributos históricos e naturais, por sua produção artística e cultural. Alguns eventos e celebrações levam à cidade turistas durante todo o ano, como o carnaval, a Semana Santa, o Festival da Pinga e a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty).

O carnaval é uma das festas mais importantes do calendário da cidade, além de tradicional, atrai grande número de visitantes. Durante os dias de folia, as bandas musicais tradicionais desfilam pela cidade e os mascaradinhos, crianças e jovens que usando máscaras e roupas vermelhas, saem às ruas entre o Dia de Reis e o carnaval, afastando os maus espíritos para que a festa aconteça pacificamente. O Boronofe, boneco gigante inspirado no cientista Voronoff, que no começo do século XX causou polêmica ao fazer transplantes de sexo em animais, também faz parte do tradicional carnava paratiense.

As máscaras são uma antiga tradição da festa, costume trazido por africanos e europeus, que as utilizavam em rituais religiosos e festividades. A técnica consiste na colagem de papeis sobrepostos sobre uma base moldada com barro.

Apesar de ser incomparavelmente mais novo, o Bloco da Lama entrou para o quadro de tradições da festa, tornando-se um atrativo para o turismo, mas principalmente uma forma de expressão e interação da população local.



O Bloco:

Há dois quilômetros do centro fica a Praia do Jabaquara, que recebe o mesmo nome do bairro que a abriga. De águas muito calmas, a praia é um local próprio para os banhistas e pescadores de crustáceos, mariscos e camarões. Ao final da praia encontra-se o mangue de onde a lama é proveniente, considerada medicinal por possuir em sua composição grande quantidade de enxofre e iodo. Lá também pode ser encontrada a Toca do Cassununga, sítio arqueológico onde foram encontradas ossadas de índios pré-históricos, além de mobiliário funerário e utensílios de pedra e restos de animais.

A necessidade de se cobrirem de lama surgiu como forma de escapar da picada dos inúmeros insetos que habitam a região do mangue. Depois de perceberem que estavam irreconhecíveis, os amigos Lúcio e Nilton sentiram a tentação de voltar para a cidade assustando os moradores com aquela aparência exótica. Para melhorar o disfarce, decidiram usar elementos naturais para compor a fantasia. No entanto, pensaram que a bagunça seria melhor com a participação de mais amigos. Foi assim que o bloco, com aproximadamente dez integrantes, saiu pelas ruas da cidade pela primeira vez, em 1986.

No sábado de carnaval, no final da tarde, centenas de pessoas se reúnem na Praia do Jabaquara para se cobriram de lama. Lançados à lama, os integrantes se auxiliam na hora de cobrirem seus corpos, fazendo desta primeira etapa um grande momento de interação. Além da lama os integrantes também usam elementos encontrados pela praia, como plantas, ossos, pedaços de pau, o que melhor os agradar para a composição.

Com os foliões enlameados, chega a hora do bloco sair. Tomando a avenida principal do bairro, o bloco segue em direção à praia do Pontal, a mais próxima do centro histórico, onde a brincadeira termina com os corpos lavados pelas águas do mar.

Durante o caminho, alguns elementos caracterizam o bloco:

    Os integrantes andam pelas ruas com seus corpos encurvados, parecendo ameaçar as pessoas por quem passam, gritando “uga, uga, há, há”, fingindo ser seres pré-históricos.

    Acontecem encenações de lutas e brigas entre os integrantes de forma natural. O bloco faz algumas paradas em pontos da cidade onde essas evoluções se desenvolvam.

    Há uma trilha sonora que mistura diversas vertentes da música, preparada previamente para ambientar e animar o bloco.

    Bob Lama é o boneco que divulga o bloco. Confeccionado a partir da reutilização de um manequim de fibra e trajado como um integrante do bloco, ele é levado às agências de turismo da cidade dias antes da saída do bloco.

    A Tartaruga de Galápagos, escolhida por ser um animal pré-histórico ainda existente, confeccionada com a técnica de papelagem, acompanha o bloco.

    Também a partir da papelagem são confeccionadas as máscaras imitando caveiras de bois utilizadas por alguns integrantes.

    O andor é confeccionado todos os anos, sua função é a de manter o grupo unido. Durante o trajeto, o grupo faz revêrencia a ele, agachando e levantando, esticando os braços.

    O bloco também tem um orador oficial, que com sons estranhos, repetidos em coro pelo grupo, parece se comunicar em uma língua primitiva.

    A Toca da Lama é o lugar onde o bloco se organiza antes da saída, ela é confeccionada a partir de materiais naturais e reciclados.

Em seu trabalho, Marisa Sasso Papa se dedica a demonstrar que o Bloco da Lama pode ser inserido no contexto dos folguetos, festas populares caracterizadas principalmente pela dança, música e encenações teatrais, exemplos dessas festas são: Bumba-meu-boi, Congada e a Folia-de-reis. Para a autora, o bloco possui todos o elementos que caracterizam o folgueto. Segundo ela (1991), “O Bloco da Lama já pode ser considerado um folgueto, uma forma de teatro popular, porque tem função, nasceu de forma espontânea e conquistou a aceitação coletiva, além de se absolutamente dinâmico”.

O bloco tem grande variedade de público, entre turistas e moradores encontram-se também pessoas de todas as idades, além de cachorros e até cavalos. Alguns desses foliões afirmam que uma atmosfera mística envolve o bloco, como se algo mágico fosse responsável pelo clima de alegria que envolve o grupo.

O fato é que, em poucos anos, o Bloco da Lama se consolidou como uma das mais populares tradições do carnaval de Paraty.



A Relação com a Comunidade:

Formado por cidadãos paratienses, professores, em sua maioria, o bloco está intimamente ligado às tradições e necessidades da comunidade e da cidade. A partir disso, o grupo desenvolve projetos junto à comunidade durante todo o ano.

A primeira manifestação desse objetivo se deu no mesmo ano em que se iniciou o bloco. Para protestarem contra a Usina Nuclear de Angra 2, alguns integrantes se cobriram de lama, representando sobrevivente de Chernobyl (1986).

Há quatro anos os organizadores do bloco vem percorrendo escolas públicas e particulares da cidade, ministrando palestras e organizando exposições. Os temas abordados dizem respeito ao cotidiano da população local, como as tradições e costumes, principalmente do carnaval, a preservação dos mangues e o desenvolvimento sustentável. Durante as palestras, os alunos também são incentivados a criarem novos blocos, a pensarem neles, por quê não, como uma fonte de renda e possibilidade de turismo, também sustentável.



Um Patrimônio Imaterial:

A preocupação com a identidade nacional e com as tradições que a compõe teve início com o Movimento Modernista da década de 1920, fortemente expressada na Semana de 22. No entanto, muitas décadas se passaram até que o patrimônio imaterial se consolidasse como um Bem Cultural Nacional.

A criação do SIPHAN, hoje IPHAN, em 1937 deu início ao processo de desenvolvimento da legislação referente ao patrimônio nacional. Apesar do artigo 216 da Constituição de 1988 trazer os bens de natureza material e imaterial como constituintes do patrimônio cultural brasileiro, só a partir do ano de 2000, com o Decreto nº 3.551, começaram a ser efetivadas as políticas para inventariar, registrar e salvaguardar os patrimônios imateriais nacionais.

Apesar de incipiente, o patrimônio cultural imaterial tem tido grandes conquistas durante esses últimos anos, sendo garantido a ele a pesquisa e arquivamento de seus dados e planos para que se desenvolva de forma sustentável, possibilitando sua continuidade e o desenvolvimento de economia local.

Baseado no artigo 2° da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO (2003), o conceito de patrimônio cultural imaterial adotado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) compreende: as formas de expressão e representação, os lugares onde se desenvolvem e até objetos utilizados durante sua execução, as técnicas ou formas de fazer, os instrumentos e artefatos, que fazem parte dos diferentes grupos sociais, que as reconhecem como formadoras de sua identidade. Essa definição também foi adotada nas esferas estadual e municipal.

Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcante e Maria Cecilia Londres Fonseca (2008, p: 20) ressaltam que “O conceito de patrimônio cultural imaterial é, portanto, amplo, dotado de forte viés antropológico, e abarca potencialmente expressões de todos os grupos e camadas sociais”.

No entanto, apenas um aparato de leis não faz de uma manifestação um patrimônio cultural imaterial, para isso é preciso também que haja a identificação de uma comunidade, grupo ou individuo com ela, pois a questão fundamental no patrimônio é o sentimento de pertencimento, questão também abordada por Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcante e Maria Cecilia Londres Fonseca:

Um critério-chave para a legitimidade de qualquer pleito ao registro é a sua relevância para a memória, a identidade e a formação da sociedade brasileira. A continuidade histórica dos bens culturais, sua ligação com o passado e sua reiteração, transformação e atualização permanentes tornam-nos referências culturais para as comunidades que os mantêm e os vivenciam. A referência cultural é um conceito-chave na formulação e na prática da política brasileira de salvaguarda (2008).

O Bloco da Lama, apesar de não ser tradicional, no sentido mais amplo, o é no sentido etimológico, a medida em que assume o papel de transmitir algo. A tradição também se manifesta na própria formatação (em bloco), tão tradicional no carnaval brasileiro, hoje muito menos comum. A presença das máscaras, assim como a forma como são produzidas também fazem a ponte presente-passado, mantendo ativa uma das formas mais antigas de se produzir artesanato em Paraty.

Sufocadas pelo que veio de fora, as práticas culturais, tão tradicionais na cidade, foram perdendo seu lugar. Nesse sentido, o bloco representa uma retomada da cultura caiçara, uma manifestação com a qual a população local, em grande número, se identificou, não só pela ideologia que o envolve, mas também por incorporar práticas mais tradicionais.

O Bloco da Lama é uma genuína criação paratiense, coisa rara na cidade nos dias de hoje. Ele se consolidou, mesmo com o forte apelo turístico, como uma manifestação impulsionada pela vontade de um grupo de moradores de Paraty.

O bloco hoje é parte fundamental do carnaval da cidade, ele é reconhecido como formador ou representante da identidade da comunidade caiçara, provoca o sentimento de pertencimento em seu integrantes, até mesmo para os que apenas o divulgam para o turismo, que o reconhecem como parte integrante da cultura paratiense. Sendo assim, ele reúne um conjunto de características que o credencia a pleitear um lugar no Livro de Registro das Celebrações, onde são inscritos as festas e rituais que fazem parte da vivência social.



Considerações Finais:

Podemos concluir que o Bloco da Lama é mais do que um bloco carnavalesco que desfila pelas ruas de Paraty, ele envolve a preocupação com o meio ambiente, a educação, o turismo e a economia local, as tradições caiçara, a expressão de toda uma cultura. Ele expressa a vontade de seus integrantes de que o bloco desfile todos os anos.

Esse desfile, por sua vez, nos mostra um grupo que viu sua cultura relegada a um espaço cada vez menor, de tradições e costumes subordinados às novas tendências que vinham de fora.

Apesar existir há pouco tempo, se comparado a celebrações mais tradicionais do Brasil, o Bloco da Lama se consolidou como integrante da identidade do grupo no qual é praticado, e até mesmo fora dele. Sem dúvida, isso tem grande valor, valor que merece ser reconhecido como patrimônio cultural imaterial.



Bibliografia:

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